Saturday, August 1, 2009

Preguiça e confissões




E por que os dias passados foram tão intensos, hoje curti preguiça. Preguiça mesmo, daquela de ver o céu azul lá fora, acompanhar as poucas nuvens, respirar fundo, pegar meu kindle book, sentar na varanda e passar o dia lendo. Preguiça do tipo total, sem rumo. Daquela de ficar olhando borboletas e libélulas, de não fazer a cama, não checar emails, não atender telefone, não ouvir rádio nem ler jornal, de ficar olhando borboletas e libélulas. Preguiça daquela que não tem vergonha, nem culpa, nem pressa. Daquela que até curte as formigas na cozinha, comendo a comida do gato fujão.

Tá bom... comecei a curtir a preguiça lá por volta das 11 e meia. Antes, escrevi uns emails, li as manchetes, dei uma caminhada pra ver o sol nascer, vi o gato fugir, terminei um teste e fiz umas pesquisas on-line para um trabalho que estou namorando, pintei o cabelo, preparei um bifinho acebolado com abobrinha, espinafre e manjericão.

Pronto, a verdade... comecei a fazer essa dieta de South Beach (sob apoio e influência da Cati) na segunda. Duas semanas sem um pingo, pitada, colher de chá de carboidratos... nem uma cenourinha, nem um pêssego. Mudei os conteúdos da minha caixinha orgânica... só vieram folhas, folhas e um tiquinho de frutas que vou levar pra um piquenique amanhã. Fruta também não entra no cardápio dessas duas semanas. Amendoim vale, graças a deus...Perdi umas gramas e fiquei com preguiça... dizem que passa... Tomara que eu perca em quilos o que ganhei em preguiça. Essa semana comecei a ter um desejo imenso de comer frutas... até a jaca que meu amigo nepales comeu hoje lá do outro lado do mundo me é apetitosa. Eu que sempre detestei jaca!! Ah, sim... antes das 11 fiz uns skypes..

A semana foi intensa.

Primeiro foi a reuniãozinha familar no final de semana passado. Philippe, Cati lindinha e o namorido Ben, para celebrarmos o aniversário da Gabi e sei lá mais o que... sermos ainda uma família unida nos nossos caminhos diversos? Seattle ajudou com calor, sol, muito azul e uma programação noturna legal para os jovens.

Depois, do nada, veio uma oportunidade de trabalhar por três meses no outro lado do mundo. Sem detalhes, pra não entrar areia. E com essa oportunidade, tive que lidar com as consequências de não manter os passaportes em dia. Os meus ainda são válidos, mas caducam em menos de seis meses. Passei um montão de tempo tentando resolver a questão... tentando falar com seres humanos nas embaixadas e consulados que devem ganhar um dinheirão pra não atender telefone. A Catharina, uma feliz exceção, me ajudou um montão. Se as chances de eu conseguir esse trabalho são boas, são mínimas se eu não conseguir resolver a questão dos passaportes. (Gente, que luxo é esse de ter passaportes?)

Apareceu uma outra oportunidade... menos lucrativa mas de longo prazo ... sem detalhes, pra não entrar areia. Precisei fazer um teste de tradução/adaptação/produção/redação mesmo antes de falar com algum ser humano. De qualquer forma, é mais legal traduzir receitas do que fazer teste de Exel na frente de garotas mal humoradas e mal formadas nas agências de emprego. Foram dois dias fazendo o teste... um pouco demais, mas sou meio perfeccionista mesmo.

Aí, a pitada colorida da semana: a Gabi anunciou que ela e o namorado vão fazer sky diving esse final de semana. Ontem, num gesto de amor filial e para me acalmar ou matar ela me mostrou uns vídeos do que eles vão fazer. Nos primeiros 30 segundos do filme, me deu uma dor de barriga que deve ter me ajudado a perder as poucas gramas da minha dieta.

Nesse momento, ela deve estar lá perto das montanhas curtindo uma saladinha com salmão defumado e se preparando pra pular de um avião e eu estou cá ... curtindo a preguiça emagrecedora das expectativas promissoras e aterrorisantes.

http://www.youtube.com/watch?v=Eh4A9n_8nRM

Monday, July 20, 2009

Meu Kindle e eu

Quem me conhece sabe que sou bem desajeitada com trecos eletrônicos, com controles e botões. Até hoje me atrapalho ligando a TV (antiga de 10 anos) e passando pro modo DVD. Se tiver que passar do DVD pra TV acabo desistindo de tudo, desligo e vou pegar um livro.

Aí é que entra o Kindle... um negócio fininho do tamanho de um livro normal, sem fio, levezinho onde a gente pode descarregar (download?) mais de 1000 livros e um outro tanto exagerado de jornais e revistas. Parece uma micro televisão/livro, com excelente definição. Tem até dicionário e nos permite escrever comentários e notas! E, provavelmente, como os celulares, faz um outro tanto de coisas desnecessárias... ou que, pelo menos, eu não vou nem descobrir.

Pois é, acabei pegando uma promoção da Amazon.com e comprei o treco leitor. Já downlodei o livro mensal do clube do livro do qual participo. (A gente mais come do que discute os livros... e é sempre uma farra!) A maioria dos livros custa menos de $10... muiiiiito mais em conta do que a versão impressa.

Estou achando ótimo!
Posso carregar o treco/leitor/mágico em qualquer bolsa. Não vou mais precisar comprar e carregar livros pesados pelos aeroportos. Vou diminuir consideravelmente o meu consumo de papel. O espaço das minhas pequenas estantes poderá ser usado para plantas e flores, temperos para os invernos. Acabou a chateação de tirar pó dos livros. Na eventual necessidade de mudar de casa ou, sei lá, de país, não vou precisar de tantas caixas. Outra coisa importante é que posso mudar o tamanho da fonte, então esquecer ou perder meus óculos de leitura vai ser menos estressante.

Só tem uma coisa que me preocupa um pouco: como ficarão os livreiros pequenos e grandes se essa moda pegar de vez? As editoras e simpáticos editores já que estão publicando versões especiais para o Kindle. Mas, mesmo assim, como ficarão as impressoras e impressores? Os distribuidores? Ai, ai... a gente fica ‘moderno-eletrônico’ e acaba contribuindo para o desemprego de pessoas... e, nos casos mais avançados, desativando os robôs...

Friday, July 17, 2009

Dieta tipo O


Quando voltei do Brasil no mês passado, comentei com o paquera de uma amiga que eu ainda estava me recuperando dos descomfortos estomacais contraídos na Bahia. Não, não costumo falar das minhas entranhas com paqueras das amigas, mas esse tal é naturopata, rolfeiro, alternativo e sabedor das ervas.

Foi nessa conversa ao redor da mesa de jantar na casa dela, que ele nos introduziu à dieta do tipo sanguineo. Não vou entrar nos detalhes da dieta, mas o principal é que cada tipo sanguineo metaboliza os alimentos de forma diferente. Sou tipo O e rapidinho imprimi a lista dos alimentos benéficos, neutros e maléficos. Os maléficos que eu adoro são os cítricos, todos os derivados de trigo, batata, café... Os benéficos são todos gostosos. Por isso, resolvi botar fé e entrar na dieta pra ver se meu estômago sossegava.

As mudanças não são tantas assim. Mas seleciono melhor o montão de verduras e frutas benéficas, que vem na minha caixinha orgânica semanal. Um tanto de carne e peixe. Não fui a nenhum restaurante desde que voltei de SP. Ao invés de café e pão de manhã, faço vitaminas de frutas com sementes de linhaça. (Depois tomo café, que ninguém é de ferro.) Parece até a comida na casa do papai, super saudável, simples... exceto as laranjas que ele tanto gosta.

Até pensei que eu fosse perder os quilinhos a mais. A agulha da balança nem se mexe :-( !
Mas devo confessar que meu estômago está feliz da vida... assim como há muito não se sentia!!!! Só pode ser essa dietinha do tipo sanguineo regado a chá de espinheira santa...

Agora, quanto ao paquera e minha amiga... não estou botando muita fé, não.

Projeto novidade 2

Na quarta passada fiz uma coisa que nunca tinha feito: fui ao zoológico assistir um concerto ao ar livre do grupo sul-africano Lady Smith.

O final da tarde estava maravilhoso, clima de férias de verão, perfeito também para um piquenique com a Jane e a Debra. Elas compraram os ingressos e eu levei a comida (humus, charutinho de uva, cerejas, uvas, um enrolado de muzzarela e prosciotto, mini pitas, etc.) Depois de uma hora na fila o portão foi aberto e, como manada maluca, centenas de pessoas entraram correndo pra achar um bom lugar no gramado. Nós sentamos ao lado de uma família branquíssima e ruiva:




O piquenique estava ótimo. A companhia idem. Já o show... meio cansativo. A música deles é meio repetitiva, hipnótica até. Mas pensando bem, serviu de fundo musical para um final de tarde gostoso.

Manhã em Green Lake


Desde que me mudei para Seattle tenho vontade de passear de kaiaque nos lagos da cidade. Já se passaram três anos e resolvi que desse verão não passa...

O dia amanheceu tão azul e ensolarado que, às 7:30 da manhã eu já estava na porta da loja que aluga kaiaques em Green Lake. Estava fechada. Resolvi caminhar em volta do lago... uma caminhada gostosa de quase cinco quilometros. Outros madrugadores já corriam, andavam de bicicleta, levavam os cachorros pra passear. Todos nós nos movendo no sentido anti-horário, pedestres na faixa interna da trilha, os de rodinhas na faixa externa... como ditam as chatésimas regras locais.

Voltei pra loja e fui atendida por um rapaz super simpático, animado, alegre mesmo. Do tipo que adora o trabalho que faz. Ele escolheu um kaiaque azul como o céu e lá fui eu pra dentro d’água, feliz da vida. Remando bem devagar pra não assustar muito os patos e as libélulas, fui dando a minha segunda volta do lago. Cheguei numa ilhota, versão mínima da ilha das Cabras e, como criança de novo, entrei com o barco por entre as árvores e troncos. Lindo! Deitei no kaiaque e passei um tempão vendo os reflexos da água na copa das amoreiras e chorões. Aí uma aranha caiu na minha cara e resolvi completar o percurso antes que ficasse quente demais.





http://en.wikipedia.org/wiki/Green_Lake_(Seattle)

Sunday, July 12, 2009

Retomando Projeto Novidade



Meta diária
• fazer uma coisa totalmente nova,
• andar 5 km,
• gastar menos de $10

Domingo chuvoso e frio. Planos de canoagem foram pro brejo. Mesmo depois de tomar café, senti chegando aquela onda de domingo preguiçoso sem ter muito o que fazer, e com pouca vontade de fazer o que estava na minha lista para hoje.

Aí me lembrei do projeto novidade, engavetado quando fui a Salvador no final de abril!

Novidade de hoje: passei o domingo preguiçoso fazendo torta de maçã, recriando o meu vision board, dei um pulo no farmer’s market... nada de muito novo, exceto pelos exercícios que decidi fazer entre uma atividade e outra. Assim, pinta aquele momento de ‘e agora, vou fazer o quê?’ e enquanto decido vou malhando com pesinhos e tudo.

Resultado: fiz poucas coisas e malhei um montão. Vou acordar dolorida amanhã :-)

Caminhada do dia: 3.5 km. Custo: $0

Thursday, June 11, 2009

Full Circle Farm



No avião, voltando a Seattle, resolvi me associar a um programa de agricultura orgânica comunitária. Trata-se uma espécie de feira orgânica mais ou menos à domicílio com produtos de uma ou mais fazendas locais.

Eu vinha namorando essa idéia há tempo, mas acabava protelando, ficando com preguiça, essas coisas... e mais uma vez, quase ia me esquecendo até chegar no caixa do supermercado do bairro onde paguei quase $80 por um pouquinho de alface, rúcula esquálida, frutinhas ordinárias como banana do Equador, uns tomates meio pálidos.

Então me inscrevi no programa: por $27 semanais recebo, ou melhor busco numa casa aqui pertinho, uma caixa "pequena" de produtos da estação cultivados em lugares próximos a Seattle. Um email no ínicio da semana me avisava do conteúdo da caixa e me dava a oportunidade de trocar alguns produtos... troquei maçãs por laranjas, e ruibarbo por brócolis. Hoje fui buscar minha primeira caixinha. Estava tão animada, que mal podia esperar chegar a hora marcada. Até limpei a cozinha, a pia e o balcão!

Abri a caixa - muito maior do que eu esperava - como um presente de aniversário. A medida que ia tirando as frutas e verduras lá de dentro da caixa super resistente (que deve ser dobrada e devolvida - já que será a "minha" caixa nos
próximos meses) ia planejado/sonhando e me deliciando com o cardápio da semana:

1. um caldo de legumes feito com as cascas, folhas e caules. Um caldo a ser usado em sopinhas, no arroz integral, num brodo ou risoto numa noite mais fresquinha;

2. em homenagem à minha mãe original e à Catharina, aspargos e ovos cozidos com molho de ghee e ervas;

3. uma ou duas saladas de folhas sortidas e muito jovens pra acompanhar uma picanha ou um peixe grelhado;

4. uma salada de brocolis ao ponto com amendoas tostadas; o que sobrar vira uma sopinha creme com cheddar - é verão aqui pero non troppo...

5. uma massa fresca ao creme de espinafre e muito parmesão;

6. torteletas 'tatin' de pêssegos para levar como sobremesa em jantares na casa de amigos e nas reuniões marcadas para os próximos dias. Uma delícia com sorvete de creme (que alguém outro há de providenciar :-) )

7. um arroz com feijão como base para um tipo de couve de cabo vermelho com bacon... esse prato há de ser compartilhado com minha amiga Ana Paula e familia.

8. o resto, basicamente as frutas e as cenouras, ficarão para lanchinhos ou café da manhã... substituindo o meu tradicional bolo e amendoinzinhos da tarde.

E pronto! Cardápio feito, caldo de legumes no fogo, aspargos preparados, folhas e frutas lavadas ... estou pronta para comer bem durante a semana.

Agora posso colocar todas as energias traduzindo o próximo programa de viagens...
desta vez com o Projeto Bagagem, 18 dias no nordeste e na Amazônia em janeiro de 2010.